sexta-feira, 20 de abril de 2018

Uma nova e preocupante evasão escolar

Mais da metade dos jovens brasileiros, de todas as classes sociais, perdeu o interesse pelos estudos e corre o risco de ficar fora do mercado de trabalho. Onde a nossa educação está falhando e qual o custo disso para o futuro do País?

Camila Brandalise

https://istoe.com.br/uma-nova-e-preocupante-evasao-escolar/





A decisão de parar de estudar da auxiliar de limpeza Regina de Jesus Araújo, hoje com 24 anos, se deu por motivos econômicos. Há seis anos, quando ela morava com os pais, considerava ter uma estrutura de vida precária e preferiu se dedicar ao trabalho para conseguir se sustentar. Conciliar os estudos, na época, com 18 anos, não era viável. “Não tive incentivo nenhum para continuar na escola.” Hoje, mora sozinha e arca com as próprias contas. Para ter mais oportunidades profissionais, porém, percebeu que era preciso concluir a formação. E foi isso o que ela fez. Neste ano, cursa orgulhosa o primeiro ano do Ensino Médio em uma escola pública de São Paulo. “Quero ir para o ensino técnico. Gostaria de ser recepcionista porque gosto de trabalhar diretamente com as pessoas”, diz. 
É a tentativa de Regina para escapar de uma triste estatística, divulgada recentemente pelo Banco Mundial: 52% dos jovens brasileiros com idade entre 19 e 25 anos perderam o interesse pela escola e, por isso, correm o risco de ficar fora do mercado de trabalho. Parte dessa população simplesmente parou de estudar por necessidade financeira, como Regina havia feito, parte não consegue levar o colégio com o comprometimento que isso exige porque é obrigado a conciliar a atividade com trabalho informal e um terceiro grupo encontra-se atrasado em relação à série adequada à idade. Abandonar a escola para ajudar no sustento da família não é novidade. 
O que preocupa nos dados do relatório do Banco Mundial é que a falta de interesse pelos estudos avança para camadas sociais em que a necessidade de gerar renda não é a maior pressão. Um em cada três brasileiros de 19 anos está hoje fora da escola.
O documento aponta outro dado alarmante: a falta de participação dos jovens na construção da economia vinha diminuindo desde 2004, mas há quatro anos a tendência sofreu uma reversão. Isso ocorreu principalmente por causa do aumento de pessoas que não estão nem estudando nem trabalhando (os chamados “nem-nem”) e de jovens que estão desempregados ou em trabalhos informais. A justificativa imediata para o retrato tem a ver com o momento econômico atual do País, de crise financeira, desemprego e informalidade no trabalho. No entanto, há questões mais complexas por trás da situação. “A pergunta essencial que essa análise suscita para os formuladores de políticas é saber se, em condições econômicas menos favoráveis, é possível manter as conquistas anteriores em termos do engajamento juvenil. Esta é uma preocupação para um País cujo potencial de produtividade agora depende de forma tão crítica do engajamento de seus jovens”, diz o relatório.
A resposta, segundo consenso entre educadores, é a de que é possível manter os jovens em sua formação escolar independentemente da condição econômica da nação. Para isso, o sistema educacional precisa mudar. É necessário que o currículo se modernize o suficiente para despertar e manter o interesse dos jovens contemporâneos. “A escola que estamos oferecendo aos nossos adolescentes não dialoga com eles, não faz mais sentido”, afirma Mozart Neves Ramos, diretor de Articulação e Inovação do Instituto Ayrton Senna. “A escola do século XIX, com os alunos enfileirados e professor falando na frente, não funciona mais.”
É preciso promover mudanças no modelo de ensino que estimulem nos estudantes a curiosidade e habilidades como liderança
DE VOLTA AOS CADERNOS Aos 24 anos, Regina voltou a estudar. Havia parado porque precisava trabalhar (Crédito:Gabriel Reis)

Eixo estratégico
Há pelo País iniciativas que contemplam novos modelos. Sob a coordenação do Instituto Ayrton Senna, por exemplo, quinze escolas públicas de Santa Catarina adotaram mudanças importantes. “Estabelecemos um projeto de educação em tempo integral”, conta Ramos. Depois de um ano, a instituição comparou a taxa de abandono nesses colégios com as apresentadas por escolas do mesmo perfil socioeconômico. “O índice foi 50% menor”, informa o especialista.
A educação integral é uma das alternativas para envolver alunos, motivá-los a pesquisar e incitar a curiosidade, tornando o ensino atraente ao mesmo tempo em que desenvolve o potencial dos jovens. Nesse modelo há ainda uma ênfase no desenvolvimento das chamadas competências socioemocionais, que trabalham habilidades fora da cartilha tradicional de ensino, como resiliência, empatia e liderança.
“Não é preciso criar novas disciplinas, mas sim oferecermos outras maneiras de trabalhar em sala de aula”, afirma Ramos. Alterações mais profundas como essas são vistas em maior escala apenas em escolas particulares que se propõem a oferecer uma nova maneira de ensinar, com mais envolvimento dos alunos, atenção específica para dificuldades ou habilidades individuais e desenvolvimento de conhecimentos que vão além das disciplinas básicas. São instituições, porém, com mensalidades altas — as mais inovadoras chegam a custar R$ 8 mil por mês —, que obviamente não podem ser pagas pela maioria da população. Há, portanto, necessidade de revisão e implantação, por políticas governamentais, de iniciativas que contemplem as mudanças na rede pública. Isso inclui investimento em formação e valorização de professores. “Temos que focar em um projeto de País que coloque educação como eixo estratégico”, afirma Priscila Cruz, fundadora e presidente-executiva do movimento Todos Pela Educação. “Ou fazemos isso ou o Brasil perderá o bonde da história de novo.”
Os prejuízos envolvem perdas individuais e também coletivas. Do ponto de vista pessoal, o documento do Banco Mundial mostra que os cidadãos de baixa escolaridade enfrentam falta de oportunidades e baixos salários. Os números revelam que quanto maior o índice de conclusão dos ciclos de ensino, maior o rendimento: até quatro anos na escola, o salário cresce 11,64% para cada ano estudado; de 14 a 18 anos de estudo, o salário cresce 35,65% por ano estudado. “Isso gera aumento no Produto Interno Bruto e melhor distribuição de renda”, explica Priscila. O Brasil todo sofre hoje com a queda da produtividade resultante da falta de conhecimento, informação e, muitas vezes, da incapacidade de formular raciocínios básicos. Sem uma população preparada para exigências de um mercado global de trabalho cada vez mais sofisticado, a tendência é o País seguir em ritmo de estagnação. O desafio é quebrar essa corrente.
“O desenvolvimento do Brasil é o desenvolvimento dos seus cidadãos”, afirma a representante do Todos pela Educação.

quinta-feira, 19 de abril de 2018

Perguntas são muito mais poderosas que respostas

Ana Maria Diniz

BLOGS
Ana Maria Diniz
A educação que vale a pena


Ana Maria Diniz
19 Abril 2018 | 14h04
Quem trabalha com Educação não pode desanimar nunca. Porém, há tantas as coisas para transformar no nosso sistema de ensino que, muitas vezes, tenho a sensação de estar diante de um problema complexo demais, impossível de se resolver. Mas, e se tivéssemos uma única bala na agulha, se pudéssemos fazer uma pequena mudança nesse intrincado quebra-cabeça e, mexendo uma peça de lugar, encontrássemos a solução que tanto buscamos? Que peça seria essa?
Ensinar os alunos a perguntar! É o que afirmam os pesquisadores Dan Rothstein e Luz Santana, de Harvard, no livro Make Just One Change: Teach Students to Make Their Own Questions. Segundo os autores, essa é a principal habilidade a ser desenvolvida nos estudantes a fim de se garantir um aprendizado significativo no mundo em que vivemos. Numa época de sobrecarga de informações, os jovens precisam saber fazer questionamentos que os ajudem a seguir em frente em suas investigações.
Esse é o ponto chave: não se contentar com a primeira camada de respostas e ir além – partir para a segunda, a terceira e, por que não, a quarta pergunta. Insistir nessa sequência pode levar a descobertas incríveis, que valem a pena serem perseguidas. O ingrediente básico para fazer com que isso aconteça é a curiosidade, a genuína vontade de buscar e encontrar a verdade.
A curiosidade é uma característica inata, mas vai esmaecendo ao longo do crescimento.  A escola chata e quadrada tem enorme responsabilidade nisso. Os pais, que muitas vezes preferem o conforto das respostas simples e rasas, também. Infelizmente, vivemos numa sociedade que ainda supervaloriza as respostas e vê a dúvida como sinal de fraqueza.
O excesso de informações circulando ajuda a poluir o meio de campo e nos mantém na superfície do conhecimento. Desde 1980, a taxa de consumo de informações aumenta 5% ao ano. Mas isso é uma filigrana em comparação ao crescimento no volume de informações disponíveis. Segundo a Curva de Duplicação de Conhecimento, de Buckminster Fuller, em 1900 o conhecimento duplicava a cada 100 anos. Em 2013, ele dobrava a cada ano. Hoje, isso acontece a cada dia e, em 2020, se dará a cada 12 horas.
Nesse contexto, somos levados a crer,  mesmo que inconscientemente, que é melhor estar informado de tudo um pouco do que ir a fundo em alguns assuntos. Ou que com uma simples pesquisa no Google ou dando uma palavrinha rápida com a assistente virtual Siri teremos a resposta certa para todas as nossas indagações. Não é bem assim. Computadores são bons em responder perguntas, mas não são capazes de ir além e fazer questões que contribuem para a real compreensão do que existe à nossa volta.
Em tese, tantas informações tão facilmente acessíveis deveriam contribuir para desenvolvimento de habilidades imprescindíveis nos dias de hoje, como pensamento crítico e resolução de problemas. Mas o que se nota nas salas de aula é justamente o contrário: esses recursos intermináveis, a um clique de distância, mais confundem do que beneficiam os alunos.
Se queremos estimular uma mudança de comportamento no sentido de ensinar as crianças a serem questionadoras e, assim, terem suas próprias opiniões, é preciso entender, primeiramente, que fazer perguntas não é só um meio de coletar informações. É mais: é ter a chance de conhecer a si próprio, de identificar lacunas de conhecimento, de duvidar e de pensar de forma crítica. É uma maneira de aprender a aprender, entendendo o processo singular que cada um de nós tem para reter e trabalhar do melhor jeito possível as informações que nos são apresentadas.
Na Psicologia, existe o conceito de desenvolvimento vertical, processo que leva o indivíduo a seguir uma trajetória de autoconhecimento por meio de uma profunda investigação sobre si próprio. Acho que seria incrível se conseguíssemos replicá-lo na Educação, por meio de uma aprendizagem vertical, na qual essa investigação se daria a partir de temas escolhidos pelos alunos a partir de seus interesses. Assim, seria possível criar uma nova cultura e ajudar crianças e jovens a sair dessa “samsara” de superficialidade, tornando-os mais espertos e capazes de dirigir seus próprios destinos.

'Nossa educação não se pauta na solidariedade'

Escola da Vida - Teodoro Zanardi

'Nossa educação não se pauta na solidariedade'

Professor Teodoro Zanardi fala da importância de um olhar mais compartilhado de sucessos e fracassos durante a carreira do estudante. A tarefa é necessária, segundo o especialista, para lidar com casos de suicídio que têm sido registrados pelo país


http://download.sgr.globo.com/audios/encodeds/3/2018/04/18/176275_20180418.mp3

quarta-feira, 18 de abril de 2018

Como esperar que nossos filhos desenvolvam empatia sem contato com outras realidades?

Érica Fraga
Érica Fraga
Jornalista escreve semanalmente sobre educação e desenvolvimento econômico.

Entender as emoções do outro é difícil com olhares cada vez mais focados em pequenas telas
Há pouco tempo, inaugurei a moda de um passeio durante a semana com meus três meninos para espairecer, quebrar a rotina quase exclusiva de escola e trabalho, explorar um pouco a cidade etc.
Depois do sucesso de uma viagem rápida recente de metrô, prometi que voltaríamos em breve. Na última segunda-feira, consegui cumprir a promessa e lá fomos nós quatro. O plano era simplesmente percorrer todo o trajeto de uma linha, chegar à estação final e voltar.
Embarcamos no meio da manhã, num vagão praticamente vazio. À medida que o trem avançava, mais e mais gente entrava, e as caras de empolgação do início foram se transformando.
Observadores astutos –como são as crianças–, eles examinavam os passageiros da cabeça aos pés. Pareciam perceber que havia ali muito mais diversidade do que costumam ver no dia a dia de seu reduzido microcosmo de classe média alta paulistana.
De repente, o trem deixou de ser subterrâneo e surgiram paisagens também bem diferentes daquelas que se tornaram habituais para eles. Em vez de prédios altos, o que viam eram barracos de uma comunidade carente.
Em um certo momento, a excitação, claramente, já tinha sido substituída por algum outro sentimento, possível combinação entre desconforto e curiosidade.
No embarque de volta, uma outra novidade: o trem lotado. A expressão, nesse momento, foi de questionamento: entraremos assim mesmo? Perceberam que não havia tempo para conversa e simplesmente embarcaram.
Passadas algumas estações, o vagão tinha esvaziado novamente. Nos sentamos. Um deles me pediu o celular. Relembrei a ele que uma das regras desses passeios era “sem eletrônicos”. Uma espécie de tédio pareceu baixar neles então, acostumados que estão a se distrair com joguinhos em trajetos um pouco mais longos.
O olhar dos três, a essas alturas, era de divagação, e acredito que o meu fosse de preocupação. Não com a habitual correria do horário do almoço que se aproximava. Mas com a tarefa que me pareceu mais difícil do que todas as outras: evitar que meus filhos cresçam numa bolha social e tecnológica.
Como esperar que desenvolvam a empatia necessária para se colocar no lugar do outro –o que amarga longas horas no transporte público lotado, sofre em filas de hospitais e não recebe educação de qualidade–, se eles pouco veem essas realidades ao vivo?
Como esperar que entendam as emoções dos demais se os olhares estão cada vez mais direcionados para baixo, focados nas pequenas telas?
Não tenho as respostas, mas gostaria de —em meio a tantas outras responsabilidades relacionadas à maternidade – não perder o ímpeto de buscá-las.

A inteligência do seu filho



COLUNISTA
Leandro Karnal

Leandro Karnal, O Estado de S. Paulo

Há que se ter humildade e paciência. Se urge incluir o lúdico, é imperativo estabelecer o exemplo

Há uma preocupação forte dos pais com a inteligência dos filhos. Antes bastava amar, vacinar e alimentar. Hoje temos de estimular de consciência hídrica até desenvolvimentos de habilidades cognitivas avançadas. 
Existe razão na preocupação. Por milhões de anos, o poder na sociedade foi determinado pela força física. O macho alfa hábil nas armas era o líder natural. A força física perdeu muito espaço para o poder econômico. A riqueza passou a determinar o status social das pessoas. Os guerreiros de outrora passaram a ser guarda-costas dos senhores endinheirados. Redefiniu-se a pirâmide social. 
Crescendo rapidamente após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) e disparando com a revolução dos computadores e softwares no fim do século 20, despontou de vez o critério da inteligência. Os homens mais influentes deixaram de ser os construtores de ferrovias ou produtores de aço. Criadores como Bill Gates e Steve Jobs eram o máximo da admiração mundial e tornaram-se parte da elite dos multibilionários. O novo empreendedor é o homem das ideias novas, das rupturas de paradigmas, da criação inquieta como eixo. Considere o celular de hoje. Com que parcela do lucro fica o criador do software, do design e da inovação tecnológica? Com qual fica a fábrica na Ásia? Por fim, qual o quinhão de quem aplicou força física como operário? Ao responder a essas questões teremos a completa noção da metamorfose. 
O crescimento da inteligência desperta o sinal de alerta dos pais. Será que meu filho está apto ao admirável mundo novo? Será que a escola está adequada? Por que ele não lê mais? São perguntas justas e lícitas.
Primeiramente façamos uma distinção básica. Saber dados constitui informação que pode tornar uma pessoa culta. Erudição é um treinamento que não implica muita inteligência, apenas memória e repetição. O processo leva anos, mas é mais ou menos padronizado e eficaz. A inteligência está associada à capacidade de criar, associar, comparar, inovar, relacionar e dar aos dados formais da erudição um sentido novo. Há pessoas cultas que não são inteligentes. Há pessoas muito inteligentes que não são cultas. 
A busca para incrementar a inteligência dos filhos leva a crenças variadas. Não existem estudos irrefragáveis sobre o efeito da música de Mozart no quarto de um bebê. Pense: os filhos de Mozart tinham seus genes e cresceram ouvindo o pai. Ambos foram medíocres na sua produção. Imaginar que sua caixinha de música tenha efeito superior ao próprio Mozart tocando é algo fantasioso. Porém, o ambiente tranquilo e com música pode ajudar a relaxar. Dormir bem será fundamental na formação do cérebro. 
A inteligência pode ser estimulada. Ler para crianças com paixão e fantasia, levá-las a atividades culturais, estimular a criatividade, ensinar línguas e instrumentos musicais são, comprovadamente, fatores estimulantes de mais conexões cerebrais. O importante é não forçar ou tornar a leitura ou o teatro uma obrigação formal. O caminho preciso para criar ódio de um aluno por um livro é forçá-lo a ler e fazer prova. Da mesma forma, já disse em outra crônica, fazer um percurso de horas em um museu é caminho bom para sepultar a análise estética de um jovem ser. 
O exemplo funciona bem. Pais lendo com prazer e comentando algo do que leram ou admirando um quadro especial em uma exposição é mais eficaz do que a formalidade educacional. Piaget tinha razão: o lúdico é a chave educativa mais forte. 
O ponto central de toda influência é permitir que os jovens façam a vinculação afetiva com os portadores de conhecimento.
Na minissérie Merlí, o professor de Filosofia faz uma pergunta na primeira aula e ouve uma resposta do pior aluno, aquele que havia repetido duas vezes de ano. Ouve e elogia: você é meu aluno preferido a partir de agora. O simples estímulo intelectual refez a visão da personagem Pol Rubio, que acabará orientando toda sua carreira futura a partir desse encantamento inicial. 
No melhor estilo da personagem infantil do Show da Luna, despertar a curiosidade científica é fundamental. Boas perguntas sobre o funcionamento das coisas e idas a museus de ciências funcionam como estratégia. Como o peixe respira debaixo da água? Por que o gelo derreteu em um copo cheio até a borda e não existiu transbordamento? Também a curiosidade sociológica e humanística estimula o olhar. Por que há pessoas dormindo na rua e nós temos quartos bons? Não se trata de moldar seu filho a ideias conservadoras ou de esquerda, mas fazê-lo perguntar, a partir de um óbvio socrático, para entender a estrutura das coisas e do mundo. 
Por fim, minha querida mãe e meu estimado pai: não sejam ansiosos. Existe um tempo e hora para tudo. Não temos poder absoluto sobre as pessoas e seus cérebros. O “estalo de Vieira”, a velha lenda de que um emburrado e medíocre aluno, um dia, despertou para o latim e a oratória e se tornou nosso genial Padre Vieira pode ocorrer. Há muitos estalos possíveis na vida. Devemos lembrar que nem todos os pais que clamam por mais leituras dos rebentos foram exatos devoradores de livros na mesma idade. Há que se ter humildade e paciência. Se urge incluir o lúdico, é imperativo estabelecer o exemplo. 
Claro: os velhos valores ainda existem: alimentar, vacinar, cuidar. O resto vai do cruzamento da maquiavélica virtù com a fortuna. Há algo de aleatório no interesse e no despertar da inteligência criadora. Ela pode brotar longe do solo ideal como em Machado de Assis e rarear em filhos tratados com todas as benesses do dinheiro. Boa semana para todos nós. 

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Como usar brincadeiras para ensinar habilidades essenciais a crianças, segundo Harvard



Pensar antes de agir, planejar e traçar objetivos, focar a atenção, ser flexível e controlar as emoções são habilidades consideradas essenciais na vida adulta, e pesquisas científicas mostram que elas devem ser ensinadas desde cedo.
Em Harvard, o Center on the Developing Child, que estuda desenvolvimento infantil, preparou um guia para ensinar pais, professores e cuidadores a estimular, em crianças de todas as idades, essas que são chamadas de funções executivas - ou de "habilidades para a vida".
"São habilidades para a vida porque são importantes para qualquer emprego, para buscar objetivos, para ser pai e mãe ou para cumprir múltiplas tarefas simultaneamente, por exemplo", diz à BBC Brasil o médico Jack Shonkoff, diretor do centro de Harvard. "Não são conceitos novos, mas com o avanço da neurociência passamos a entender como eles impactam o desenvolvimento."
O centro equipara as funções executivas a um sistema de controle de tráfego aéreo, que gerencia diversas informações ao mesmo tempo e tem de tomar decisões com base nelas.
A ausência de funções executivas bem desenvolvidas resulta em adultos menos produtivos, menos hábeis para o trabalho em equipe, com piores autocontrole e traquejo social.
Shonkoff destaca que essas funções se desenvolvem desde a infância até o início da vida adulta, mas é crucial formar uma base desde os primeiros meses de vida da criança, porque, quanto mais essas habilidades forem praticadas, melhores elas serão. "Sem essa base, será mais difícil aprender mais adiante."
O desenvolvimento de funções executivas também pode ajudar as crianças a entender suas emoções e aprender a controlá-las - um auxílio importante para pais contornarem problemas comportamentais ou disciplinares.

'Todos pagamos o preço'

O Center on the Developing Child destaca que, quanto mais crianças desenvolverem esse tipo de habilidade, melhor será para todo o mundo.
"Quando nos asseguramos de que as crianças tenham sólidas bases (socioemocionais), toda a sociedade se beneficia", agrega Shonkoff. "Porque todos pagamos um preço quando há adultos com baixo controle de seus impulsos ou que não sejam bons pais."
Pais e cuidadores têm um papel crucial, porque as funções executivas não se desenvolvem automaticamente, ao contrário de andar ou falar - que a criança aprende só de observar os adultos. Ela precisa de mentores que as ensinem a controlar seus impulsos ou a seguir regras - e que se assegurem de que o ambiente seja adequado.
"Em ambientes imprevisíveis, instáveis e inseguros para as crianças, é mais difícil fomentar habilidades executivas, porque o estresse tóxico impede o desenvolvimento de circuitos no cérebro", explica Shonkoff.
Por isso, um dos focos do centro de Harvard é estudar formas de intervir de modo eficaz em lares de pais excessivamente imprevisíveis, violentos, com histórico de vício em drogas ou com questões de saúde mental - e que, por isso, podem não conseguir criar um ambiente para que seus filhos as aprendam, gerando um círculo vicioso.
"Programas de combate à pobreza muitas vezes são ineficientes quando ignoram (o estado socioemocional) dos pais ou apenas lhes dão conselhos como 'leia para seus filhos'", prossegue o médico. "É preciso buscar novas abordagens, que ajudem os pais a mudar suas vidas e a quebrar esse ciclo."
Shonkoff destaca que todas as crianças nascem com o potencial de desenvolver essas habilidades, e cabe aos contextos onde ela está inserida - casa, escola e comunidade - estimulá-las para tal.
A seguir, dicas do Center on the Developing Child para fomentar isso em bebês, crianças pequenas, crianças maiores e adolescentes:

6 a 18 meses de idade

Veja algumas brincadeiras que estimulam a focar a atenção, usar a memória operacional (importante para a compreensão da linguagem, o raciocínio e o aprendizado) e praticar autocontrole. É importante, porém, que os adultos identifiquem os focos de interesse dos bebês e deixem que estes determinem a duração da brincadeira:
- Brincar de "esconde/achou!" ajuda a exercitar a memória, ao desafiar o bebê a lembrar quem está escondido e a esperar que a pessoa se revele.
- Esconda um brinquedo sob um pano e peça ao bebê que o procure; aumente o desafio à medida que ele identifique os objetos. Ao lembrar a mudança de lugar do brinquedo, ele exercita a memória. Crianças maiores vão se divertir se escondendo e escutando o adulto enquanto ele a procura. Uma variação dessas brincadeiras é esconder um objeto sob um de três copos virados para baixo e pedir que a criança adivinhe em qual ele está.
- Jogos de imitação divertem e desafiam o bebê a acompanhar as ações dos adultos, lembrá-las e esperar sua vez de repeti-las. Podem ser desde repetir gestos ou ordenar os brinquedos de certo modo (por exemplo, empilhar blocos ou colocar animais dentro de um cercadinho), para depois pedir ao bebê que repita.
- Nomear em voz alta os objetos que chamam a atenção do bebê vai prolongar o interesse dos pequenos pelos objetos, praticando o foco e, posteriormente, a memória.
- Conversas em vários idiomas devem ser praticadas com a criança desde seus primeiros meses. "Quanto mais cedo isso começar, mais ela será capaz de aprender o idioma", explica Shonkoff. "A princípio, o cérebro delas terá de se esforçar um pouco mais, mas o resultado disso serão funções executivas mais bem desenvolvidas."

18 a 36 meses

É uma etapa de rápido desenvolvimento da linguagem, que por sua vez ajuda no desenvolvimento de funções executivas ao se relacionar a pensamentos e ações e ao cumprimento de regras:
- Ofereça o máximo de oportunidades para o bebê exercitar novas habilidades, como brincar de jogar e pegar bola, pular, correr para cima e para baixo em uma ladeira. Estipule regras simples, como correr até uma linha de chegada
- Narrar a brincadeira da criança ajuda-a a entender como a linguagem descreve suas ações. À medida que a criança cresce, é possível lançar perguntas: "O que você vai fazer a seguir?" ou "Quero ver você colocar a bola dentro do pote. Quais as formas de se fazer isso?"
- Pedir à criança que separe objetos por tamanho, forma ou cor, por exemplo, exige da criança entender as regras da atividade, memorizá-la e segui-la.
- É crucial, desde essa etapa, conversar sobre sentimentos, explicando à criança o que ela está sentindo: "Estou vendo que você está muito chateada!". Isso é muito importante para o desenvolvimento emocional infantil, sobretudo em momentos de adversidade, diz Shonkoff. "As crianças sentem medo, tristeza ou alegria sem nem sempre entender de onde vem isso. Quando explicamos os sentimentos, ajudamos a criar crianças mais resilientes e que aprendem a gerenciar suas emoções."
- A brincadeira imaginária também se fortalece nessa fase. Vale brincar de imitar adultos com objetos do dia a dia (panelas, vassouras) ou de imaginar, deixando a criança determinar qual "papel" ela e o adulto devem interpretar.

3 a 5 anos

Essa é uma das fases de maior desenvolvimento das funções executivas. O objetivo principal é que elas consigam, aos poucos e em seu ritmo, ir dependendo menos da regulação dos adultos, então é importante ir dando autonomia sempre que possível.
- Brincar de imaginar ajuda a criança a desenvolver pensamentos complexos e a interpretar um papel - por exemplo recriando uma ida ao médico, montando sua peça de teatro ou contando uma história. Nessa etapa elas começam a conseguir brincar em grupo, cooperando entre si, algo importante na autorregulação.
- Estimule a criança a contar histórias, que vão crescendo em complexidade à medida que ela crescer - estimulando a memória e o uso de informações de modo coerente. Ajude-as a criar suas próprias histórias e peças.
- Brincadeiras de movimento com música, como "estátua" - tornando as tarefas mais difíceis à medida que a criança vencer os obstáculos -, ajudam a ensinar a sincronizar palavras, ações e ritmos.
- Já dá para estimular atividades silenciosas e de foco, como equilibrar-se em uma trave ou meio-fio da calçada, exercitar uma pose de ioga, jogar bingo ou fazer jogos de memória e quebra-cabeças mais complexos. Todos exercitam a flexibilidade cognitiva.
- Cozinhar, dando orientações e mensurações às crianças, ajuda a ensiná-las e esperar e compreender instruções complexas, além de desenvolver a memória e o foco.

5 a 7 anos

Jogos com regras e desafios crescentes permitem às crianças exercitar habilidades como atenção, foco, memória operacional, cooperação e autocontrole. Sugira jogos que sejam desafiadores, mas não em excesso, e esteja pronto para ajudar a negociar eventuais conflitos que surjam durante a atividade - por exemplo, usando cara ou coroa para designar de quem é a vez de jogar.
- Estimule jogos de tabuleiro, de cartas e de estratégia. Algumas sugestões: Uno, Mico, Duvido (também chamado de Desconfio), Batalha Naval ou Damas.
- Dança das cadeiras, "estátua", queimada, batata-quente, músicas de repetição em que cada jogador acrescenta uma frase nova e atividades semelhantes exigem que a criança esteja atenta, entenda regras, monitore as ações dos demais e reaja com agilidade.
- É uma fase importante para estimular a prática de esportes organizados - jogos que exigem coordenação e exercício aeróbico, como o futebol, ajudam a melhorar a atenção. Atividades como ioga e tae kwon do exercitam o foco, a atenção e o controle das ações.
- Atividades mais silenciosas podem exercitar a habilidade de resolver problemas, a autonomia e a reflexão. Bons exemplos são livros de atividades com labirintos e caça-palavras, quebra-cabeças ou jogos de adivinhar.

7 a 12 anos

Nessa idade, é importante ir aumentando a complexidade das atividades e estimular as que envolvem regras, movimentos, flexibilidade e atenção seletiva.
- Jogos de baralho como Espadas e Bridge, Sudoku, palavras-cruzadas e cubo de Rubik (ou cubo mágico) desafiam o cérebro e estimulam a memória operacional; games fantasiosos de regras complexas, como Minecraft e Dungeons & Dragons, ajudam a praticar estratégias e objetivos.
- Esportes organizados, instrumentos musicais e aulas de dança ajudam a praticar diversos aspectos das funções executivas.
- Pular corda, com todas as suas variações, exige prática e foco.
- Aulas de música ou corais estimulam a seguir ritmos e desenvolver coordenação.

Adolescentes

Nessa fase, muitas vezes se exige de adolescentes um alto nível de funções executivas - seja em comunicação, gerenciamento de atividades e planejamento -, ainda que elas não estejam plenamente desenvolvidas. O Center for the Developing Child sugere atividades e conversas que ajudem os jovens a praticar as habilidades com base nos desafios que eles enfrentam nessa etapa.
- Estimule o adolescente a identificar um objetivo específico que queira conquistar - e que seja significativo para ele, não necessariamente para os demais. Pode ser organizar um evento social ou planejar a ida à universidade.
- Ajude a estabelecer passos de curto e longo prazo para as metas (por exemplo, quanto dinheiro será necessário economizar para comprar um celular novo) e pensar no que será necessário para alcançá-las. É importante monitorar o progresso.
- Questões sociais, como bullying, pobreza ou violência urbana, começam a despertar o interesse dos jovens nessa fase, mas por serem amplas demais podem causar sensação de impotência ou sobrecarga. Uma sugestão é ajudá-los a identificar ações concretas para enfrentar essas questões.
- Ajude o adolescente a pensar em formas de priorizar determinadas tarefas e de evitar interrupções, sobretudo de aparelhos eletrônicos e redes sociais.
- Olhar sob a perspectiva dos demais: estimular os jovens a traçar hipóteses sobre quais podem ser as motivações das outras pessoas para suas ações.
- Atividades como esportes, ioga, meditação, música, teatro, jogos de estratégia (como xadrez) ou mesmo de computador (desde que com limites de tempo) também ajudam a praticar foco, reduzir estresse, promover decisões menos impulsivas e gerenciar o próprio comportamento.

Filosofia e sociologia obrigatórias derrubam notas em matemática

Segundo pesquisa, exigência no ensino médio prejudica desempenho de alunos

Érica Fraga
SÃO PAULO
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A inclusão de filosofia e sociologia como disciplinas obrigatórias no ensino médio em 2009 prejudicou a aprendizagem de matemática dos jovens brasileiros, principalmente os de baixa renda. A conclusão é dos pesquisadores Thais Waideman Niquito e Adolfo Sachsida, em estudo inédito que será publicado pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).
Segundo eles, a mudança levou as notas de jovens residentes em municípios com muito baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), que engloba aspectos de renda, escolaridade e saúde, a cair 11,8%, 8,8% e 7,7% em redação, matemática e linguagens (que inclui português, língua estrangeira e outras), respectivamente.
Esses declínios foram verificados nas provas do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) de 2012, três anos após a aprovação de lei que estabeleceu que filosofia e sociologia deveriam ser ensinadas ao longo de todo o ensino médio obrigatoriamente. 
Desde 2006, a legislação previa a inclusão das duas disciplinas no currículo, mas não necessariamente nos três anos do ciclo.
Foram avaliados os resultados de jovens de 16 a 25 anos em vários recortes e cruzamentos de dados, como renda, porte do município, região e tipo de escola.
Os pesquisadores analisaram as notas de dois grupos de participantes do Enem de 2012: os que concluíram o ensino médio a partir de 2009 —e portanto foram afetados pela nova lei— e os que haviam se formado três anos antes do início da obrigatoriedade de inclusão das duas disciplinas.

TENDÊNCIA

Os dados do Enem de 2009, tanto dos que se formaram nos três anos imediatamente anteriores quanto daqueles que haviam terminado a escola há mais tempo, também foram considerados.
O objetivo era identificar se havia uma tendência de desempenho dependendo da distância entre a data da conclusão do ensino médio e da realização do exame. Os resultados indicaram que havia, de fato, um padrão que se alterou após a nova lei.
A mudança não gerou apenas efeitos negativos. Em alguns casos, as notas de português e ciências humanas, por exemplo, melhoraram. Houve também situações em que a medida não afetou, nem para melhor nem para pior, a aprendizagem nas demais disciplinas. Mas chamou a atenção dos pesquisadores o fato de que, na maioria dos cenários avaliados, o desempenho em matemática caiu.
No país como um todo, independentemente do tipo de escola e do nível de renda, as notas em ciências exatas tiveram queda de 1,1%. Entre os jovens residentes em municípios com IDH muito alto, a piora foi de 0,9%.
Embora em menor frequência do que em matemática, as notas também tenderam a piorar em redação, principalmente entre os jovens de baixa renda.
“Os resultados preocupam porque o nível de capital humano no Brasil é baixo. Não podemos nos dar ao luxo de piorar o que já é ruim”, diz Niquito, pesquisadora visitante do Ipea e professora da Udesc (Universidade do Estado de Santa Catarina).
A hipótese levantada pelos pesquisadores é que, dada a limitação de carga horária do ensino médio, a inserção obrigatória de qualquer nova disciplina “se reflete em redução no espaço dedicado ao ensino das demais”.

REFORÇO

Niquito acredita que, em áreas como português e história, a redução de carga horária pode ter sido compensada pelo reforço de habilidades como capacidade de interpretar textos em consequência da inclusão de novas disciplinas de humanas.
“A pergunta é até que ponto esse ganho justifica sacrificar disciplinas como matemática?”, diz a pesquisadora. Sachsida conta que a grande carga de tarefas escolares de suas filhas foi um incentivo para que ele quisesse pesquisar o tema. 
“São muitas disciplinas. A impressão é que o que não dá tempo de ver em sala de aula vem como tarefa para casa”, diz. “Mas e aquela criança que não tem pai e mãe para estudar com ela em casa?”
A maior limitação desse tipo de apoio entre famílias de baixa renda ajudaria a explicar, segundo os autores, por que as crianças menos favorecidas foram as mais afetadas pela alteração.
Para melhor aferir o impacto da mudança, os pesquisadores também exploraram o fato de que a adoção de filosofia e sociologia em todas as séries do ensino médio tem ocorrido de forma gradual.
Eles compararam os resultados no Enem das escolas de acordo com o ritmo de inclusão das duas disciplinas em seus currículos. Entre 2010 e 2015, o percentual de escolas que ofereciam filosofia e sociologia em todas as turmas passou de 49% para 79%.

DISCIPLINA

Com a reforma do ensino médio, a tendência de aumento da cobertura de filosofia e sociologia no ensino médio poderá mudar. Por outro lado, as duas disciplinas —e outras, como artes e educação física— não devem ser abolidas da parte do currículo que será comum aos estudantes desse ciclo.
Isso foi abordado nas discussões iniciais sobre a reforma, que foi aprovada em 2017 e aguarda a aprovação de uma base curricular para entrar em vigor.
No entanto, o projeto enviado recentemente pelo governo ao CNE (Conselho Nacional de Educação) as manteve na parte do currículo, equivalente a 60% do tempo total, comum a todos.
Sociologia e filosofia, por exemplo, permanecem no núcleo obrigatório de humanas, embora não necessariamente em todos os anos, já que os 40% restantes do ensino médio serão destinados a escolhas individuais de formação —humanas, saúde, exatas ou profissionalizante.
“A reforma vai na direção correta ao permitir que os currículos sejam calibrados de acordo com a área em que o aluno quer se aprofundar”, opina Ana Inoue, assessora de educação do Itaú BBA.
Ela diz que, embora não possa afirmar que a inclusão de sociologia e filosofia tenha prejudicado a aprendizagem em outras disciplinas, torná-las obrigatórias nos três anos foi um equívoco.
A expectativa é que a base curricular comum do ensino médio —que será elaborada neste ano— ajude a sanar esse problema.
Para Thais Waideman Niquito, uma das autoras da pesquisa do Ipea, apesar da importância da reforma e da base, a adoção dos currículos em cada região deve levar em conta especificidades de diferentes grupos, segundo as condições de vida: “Nossa pesquisa mostra que não se pode pensar política educacional de forma centralizada. O contexto do aluno deve ser considerado”.