domingo, 30 de abril de 2017

Garotas sedentárias. Estudo apresentado pela Universidade de Bristol revela que já aos 9 anos duas em cada três meninas abandonam a atividade física diária

COLUNISTA

Jairo Bouer


Por que as garotas adolescentes são mais sedentárias que os garotos? Quando essa diferença de comportamento começa a aparecer? Novo estudo revela que já aos 9 anos duas em cada três meninas abandonam a atividade física diária, enquanto entre os meninos um em cada três está inativo.
O trabalho da Universidade de Bristol, no Reino Unido, financiado pela Fundação Britânica do Coração, avaliou 1.300 crianças aos 6 e aos 9 anos. Nesse intervalo de tempo, as meninas aumentaram em 23% seu tempo de vida sedentária. Aos 9, o número de garotas que fazia uma hora de atividade física diária era a metade do número dos meninos.
Para os especialistas, à medida que as garotas crescem, elas passam a se sentir menos confortáveis com seu corpo e aparência e menos confiantes em praticar uma atividade física. Os esportes coletivos, por exemplo, se tornam mais populares entre os garotos, o que afasta muitas meninas dessa importante forma de socialização. Os resultados foram publicados no periódico Journal of Behavioural Nutrition and Physical Activity e divulgados pelo jornal Daily Mail.
Quais seriam as saídas? Para os pesquisadores, na escola, seria importante pensar a atividade física de uma forma mais lúdica e prazerosa e, por tabela, menos competitiva, o que poderia atrair mais a população feminina para sua prática. No fim de semana, os pais também teriam de se esforçar ainda mais para convencer as filhas a deixar o sofá e as convidativas “telas” da tecnologia para passar mais tempo se mexendo fora de casa. 
Diabete tipo 2. Crianças menos ativas têm maior risco de desenvolver sobrepeso e obesidade, que são a origem do aumento do número de casos de doenças metabólicas que vem sendo detectado nessa faixa de idade, em todo mundo ocidental. Novo levantamento do King’s College London mostra que, nos últimos 20 anos, o número de crianças com diabete tipo 2 aumentou cinco vezes no Reino Unido. Além dos casos diagnosticados na infância, uma criança obesa tem, também, quatro vezes mais chance de desenvolver essa condição no início da vida adulta.
Nesse tipo de diabete, a insulina produzida pelo pâncreas enfrenta maior resistência em facilitar a entrada da glicose nas células. Os pesquisadores analisaram dados de 370 mil crianças entre 2 e 15 anos de idade e publicaram os resultados no Journal of the Endocrine Society. 
Obesidade e morte. Na mesma semana, outro estudo, da Cleveland Clinic e da New York University School of Medicine, nos EUA, apontou que obesidade é hoje a principal causa de mortes prematuras naquele país. Foram avaliados dados de 2014 que mostraram que a obesidade foi responsável por 47% mais anos de vida perdidos do que o cigarro ou a pressão elevada.
Os especialistas afirmam que as campanhas contra o cigarro fizeram com que esse fator de risco tivesse hoje um peso menor nas causas de morte precoce. Para eles, seria urgente seguir o mesmo tipo de abordagem com a obesidade. Para isso, seria essencial alterar o estilo de vida de parte da população, com mudanças no peso, atividade física e alimentação saudável.
Brasil. No País, dados do Vigitel 2016 (Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco por Inquérito Telefônico), divulgados no início de abril, sinalizam que quase 20% da população está obesa e metade do País está acima do peso. Nos últimos dez anos, a obesidade saltou de 11,8% para 18,9%, enquanto o sobrepeso passou de 42,6% para 53,8%. 
Bom lembrar que há dois anos o Diagnóstico Nacional do Esporte (Diesporte) já revelava que quase a metade da população brasileira de 14 a 75 anos estava sedentária. As mulheres e as pessoas mais velhas eram as que menos se movimentavam, principalmente nas regiões mais urbanizadas. Entre os jovens de 15 a 19 anos, um terço “não se mexia”. Como se vê, por aqui, os problemas são bem parecidos! 

sábado, 29 de abril de 2017

Sobrepeso e magreza podem ser sinais de desnutrição infantil


ANANDA PORTELA* - O ESTADO DE S.PAULO


A desnutrição nada mais é do que a ingestão incorreta de nutrientes importantes que colaboram no desenvolvimento intelectual e corporal de uma criança. Segundo dados da Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde (PNDS), 7% das crianças brasileiras menores de cinco anos apresentam desnutrição, enquanto 4,1% das crianças de cinco a nove anos sofrem do mesmo problema. Quanto ao excesso de peso, um terço das crianças de cinco a nove anos sofrem com o problema.

Ao contrário do que muitas pessoas pensam, o excesso de peso - e não só a magreza - também é sinal de desnutrição. “Primeiro, temos que desmistificar que quando a criança é ‘fortinha’, ‘fofinha’, é bem nutrida. Tanto o sobrepeso quanto a magreza são sinais de que a criança pode estar desnutrida”, afirma Joanna Lima, nutricionista da Nova Nutrii, especializada em nutrição clínica.
O desmame precoce, uma dieta carente em proteínas, vitaminas e minerais e a higiene precária dos alimentos são as principais causas da desnutrição. A manutenção dessas atitudes pode provocar problemas graves ao longo da vida de uma pessoa, como comprometimento do desenvolvimento físico e mental, dificuldade na calcificação dos ossos e deficiência na aprendizagem, por exemplo. No entanto, esses problemas podem ser combatidos no início da vida com um ingrediente muito importante: o leite materno.
Nos seis primeiros meses de vida do bebê, os médicos indicam apenas o leite materno como fonte exclusiva de nutrientes essenciais ao crescimento. “A amamentação é fundamental para o desenvolvimento físico, emocional e cognitivo da criança. A composição do leite materno é capaz de fornecer todos os nutrientes necessários para o crescimento e desenvolvimento do bebê”, explica a nutricionista Aricia Motta, membro da Academia Brasileira de Saúde.
Os hábitos alimentares adquiridos na infância são determinantes para a definição da alimentação na vida adulta. “A escolha dos alimentos, a frequência das refeições, a quantidade consumida, o modo de preparo e a higiene dedicada nesse processo são fundamentais”, completa Joanna Lima. Para que as crianças cresçam de maneira saudável, os alimentos coloridos e saudáveis são a melhor opção, além da introdução de pequenos lanches ao longo do dia. 
Confira cinco dicas abaixo para melhorar a alimentação das crianças:
Respeite o apetite da criança
Nos primeiros anos de vida, a criança possui uma capacidade maior de percepção da saciedade, por conta do leite materno, que estimula o desenvolvimento desse controle psicológico. Por isso, respeite o intervalo entre as refeições, pois o volume de comida ingerido depende do período que a criança passar sem se alimentar. Se por um acaso ela estiver doente, estimule a alimentação! Opte por alimentos saudáveis, mas que sejam mais facilmente aceitos pelos pequenos. “Fazer com que a criança participe do processo da montagem do prato, colocar o arroz nas forminhas, realizar o dia da cozinha em casa, mostrar que a alimentação natural é prazerosa", afirma a nutricionista Joanna Lima
Mantenha boas práticas de higienização
A higiene é extremamente importante no manuseio, preparo e armazenamento dos alimentos, tanto durante a lavagem e o cozimento correto dos ingredientes, como também na higienização dos utensílios utilizados durante os processos.  
Estimule a alimentação, mas com cuidado!
É importante lembrar que as crianças e os adultos têm ritmos muito diferentes, e que acelerar a refeição dos mais novos é muito prejudicial. A nutricionista Aricia Motta indica que os pais devem esperar a criança prestar atenção a cada colherada do alimento oferecido, deixem que ela toque o alimento e, principalmente, o prato e a colher. É muito importante que os pequenos reconheçam os alimentos consumidos
Combine carboidratos, proteínas e alimentos energéticos
É muito importante incentivar o consumo de alimentos variados. "Alimentos ricos em proteínas não podem faltar no cardápio diário. Outro grupo alimentar essencial é o dos carboidratos, que fornecem energia necessária para a realização de todos os processos metabólicos do corpo", explica a nutricionista Joanna Lima 
 Atente-se ao possível uso de suplementos
Algumas carências nutricionais não podem ser solucionadas apenas com a alimentação, como nos casos de problemas metabólicos ou falta de apetite. A partir do diagnóstico de alguma dessas alterações, o suplemento infantil é recomendado como forma de corrigir esses problemas e auxiliar na ingestão de vitaminas e nutrientes que o corpo necessita. Mas, lembre-se: não medique as crianças intuitivamente. O pediatra vai saber como melhor orientar sobre o uso desses produtos 
A ingestão de alimentos ricos em açúcar e gorduras, principalmente, auxiliam no ganho de peso. Além disso, algumas crianças já nascem com tendência a apresentar obesidade. “É muito importante a mamãe procurar orientação de um profissional capacitado para que a gestação seja dentro do planejado em relação ao ganho de peso estipulado”, atenta Joanna. O abuso da ingestão de carboidratos durante a gravidez pode fazer com que a mãe adquira diabetes gestacional, que pode afetar a vida do bebê dentro e fora do útero.
Os sintomas tanto da magreza excessiva quanto da obesidade têm certa semelhança: diarreia frequente, pele apática, cansaço, tristeza, falta de apetite, queda de cabelo, dificuldade de concentração, irritabilidade. Quando esses sintomas forem diagnosticados em casa, é muito importante que um profissional seja consultado.
O tratamento se dá a partir de uma dieta balanceada combinada a alguns exercícios indicados pelo especialista. Em algumas ocasiões, a suplementação é indicada, uma vez ela que auxilia na inserção de nutrientes que a criança não aceita, seja por conta da alimentação ou por problemas de absorção. Mas lembre-se: só um profissional especialista pode indicar um suplemento alimentar ou definir uma dieta!

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Um ano após a vigência da lei de bullying nas escolas, instituições de ensino não estão preparadas para lidar com o efeito devastador das redes sociais e assistem passivas ao número de casos aumentar

Fabíola Perez

Há algum tempo, o pátio da escola deixou de ser o lugar mais comum para o agressor que decide perseguir a vítima de bullying. Agora, a discriminação ganhou uma dimensão ainda mais assustadora, com as redes sociais. Os dispositivos móveis conseguem escancarar tipos de humilhação e exposição dos mais perigosos possíveis. E as instituições de ensino ainda não estão preparadas para enfrentar o problema. “Enquanto o bullying tradicional envolve agressão física, verbal, provocações, ameaças e exclusão social no ambiente escolar, no cyberbullying a vítima se sente ameaçada dentro de casa, ao acessar o celular, e em todas as esferas da vida”, diz Marina Bialer, doutora em psicologia pela Universidade de São Paulo. “Para piorar, temos uma geração analógica que ainda não compreendeu essa forma de violência”, afirma Ana Paula Siqueira Lazzareschi de Mesquita, advogada especialista em direito digital. O mais grave é que esse cenário vem à tona no mês em que se completa um ano da lei que combate a intimidação sistemática no ambiente escolar. Pela legislação, escolas públicas e privadas seriam obrigadas a criar ações de prevenção, como capacitar professores e orientar pais e produzir relatórios mensais dos casos. No entanto, não é essa a realidade que se apresenta. “As campanhas são genéricas, faltam treinamentos para os funcionários e muitos professores promovem a violência sistemática nas redes sociais. Há uma omissão das escolas no combate à prática.”
Silêncio
O principal problema das instituições de ensino é que muitos coordenadores ainda vivem o mesmo contexto da década de 1990, quando o bullying era mais facilmente exposto. O boom de smartphones criou novas formas de humilhação, que raramente são flagradas. No ano passado, houve um aumento expressivo nos casos de discriminação por razões políticas. “Se os jovens tivessem uma posição contrária à maioria e a manifestasse, já seriam alvo de perseguição e acusados de discórdia”, diz a advogada. Para se ter ideia da tendência de aumento no número de casos, o último levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) verificou que 46,6% de adolescentes entre 13 e 17 anos declararam ter sofrido algum tipo de intimidação sistemática em 2015. Em 2012, o índice era de 35%. Os números, porém, são subestimados, já que muitos evitam tocar no assunto. Além dos impactos psicológicos, o bullying tem desdobramentos jurídicos. “Trata-se de um crime, um ato contra a honra, injúria, difamação e ameaça”, afirma Ana Paula.
Um dos pontos incentivados pela lei é a busca da conciliação entre as partes envolvidas. Para quebrar o paradigma de “fazer justiça” com o próprio celular, a legislação incentiva a conversa entre os pais da vítima e os do agressor, além do apoio jurídico, psicológico e psiquiátrico. Foi o caso da estudante Mel Swioklo, de 12 anos. Após mudar de escola, a mãe Mirela Swioklo notou que a garota, então com 8 anos, passava grande parte do tempo sozinha. “Ela dizia que não se sentia bem e que um menino a chamava de tóxica. Um dia, quando ela se aproximou, ele deu um soco na barriga dela.” Após o episódio de violência, a escola buscou a conciliação, além de dar uma advertência ao aluno. “A mãe do garoto ficou arrasada, nos procurou para pedir desculpas e a instituição indicou um terapeuta”, afirma. “Os pais precisam ficar atentos, têm a obrigação de olhar o celular e não apenas terceirizar a responsabilidade.”
Caso a instituição de ensino não tenha políticas para coibir a prática de violência física ou psicológica, ela poderá ser responsabilizada pelos crimes e pela omissão. “Normalmente os programas são efêmeros e falta consistência. Como é possível fazer um relatório das ocorrências se ninguém acompanha?”, afirma a advogada. Quando nada é feito, as consequências são as piores possíveis. “Diminuição do desempenho escolar, falta de vontade de interagir com outros colegas, aumento da ansiedade, depressão e até idealização do suicídio”, afirma Marina. Se os casos continuarem aumentando, outras tragédias como a que deu origem à lei podem voltar a acontecer. No dia 7 de abril de 2011, 12 crianças foram assassinadas a tiros na Escola Tasso da Silveira, no Rio de Janeiro. Wellington Menezes de Oliveira, de 23 anos, ex-aluno e autor do crime, foi vítima de perseguição e discriminação na escola. Apesar da lei, pouca coisa mudou.
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A Lei do Bullying
O que é
Todo ato de violência ou psicológica, intencional e repetido, que ocorra sem motivação evidente praticado por um indivíduo com o objetivo de intimar ou agredir, causando dor e angustia à vítima
Ações de combate
• Capacitar professores e profissionais de educação para atuar na parte preventiva
• Oferecer apoio à vítima, à família da vítima e ao agressor
• Evitar a penalização do agressor, privilegiando a mudança de comportamento
• Produzir relatórios com ocorrências de bullying nos estados e municípios

A reconstrução do Brasil e as novas lideranças

claudia costin
Claudia Costin
É professora visitante de Harvard. Foi diretora de Educação do Banco Mundial, secretária de Educação do Rio e ministra da Administração.

Chego a Harvard para dar um curso e encontro alguns alunos brasileiros que mentoreio. Essa é uma prática que tenho há algum tempo, seja profissionalmente, com secretários de Educação, ou de forma voluntária, na orientação de vida e carreira de jovens que pedem aconselhamento.

Saí do Brasil preocupada com a situação do país, que parece não apresentar solução fácil, dada a constatação de que faziam parte do processo de financiamento de campanha de praticamente todos os partidos métodos no mínimo heterodoxos. Que será do futuro da democracia brasileira, pela qual minha geração tanto lutou?

Situações como essas abrem o caminho para a ascensão de alternativas pretensamente apartadas da política, como Trump, aqui nos Estados Unidos, ou, em outros tempos, Benito Mussolini. A democracia e seus mecanismos lentos são apresentados, nesse processo perverso, como problemáticos, e parte da juventude ou se encanta com os novos líderes tidos como apolíticos ou se desinteressa da política e deixa que outros decidam por ela.

Foi com essas preocupações que os encontrei. E eis que mais um apareceu com um projeto que tem me impressionado ultimamente. Quer seguir carreira política. Já são mais de cinco que seguem a mesma direção. Estranho, pois nenhum deles é de família de políticos, todos querem fazer a diferença e sabem que o caminho será difícil.

Nenhum parece ter vocação para líder genial das massas ou parece ligado a modelos antigos, de um lado ou de outro da divisão que se estabeleceu no Brasil. 

O que os motiva? Não querem deixar o Brasil como está.
Para que gente como eles possa participar, uma reforma política importante precisa acontecer. Esses não são jovens que fecham os olhos a mecanismos esdrúxulos de financiamento, pensando que, afinal, as regras do jogo são essas. 

Mas não me parece que seja este Congresso que está aí que fará essas modificações, afinal, muitos dos congressistas se tornariam inviáveis com regras novas.

Parece urgente pensar num novo regramento político que nos coloque no século 21 e que não nos torne prisioneiros do que Daron Acemoglu e James Robinson chamaram, em seu livro "Por que as Nações Fracassam", de extrativismo político. Talvez faça mesmo sentido pensarmos em uma Assembleia Nacional Constituinte que crie novas regras do jogo, para as quais ninguém mais precise fechar os olhos.

Na falta de um mecanismo desse tipo, o atual Congresso, com todas as suas imperfeições, deveria reservar tempo e energia para permitir ao menos que os novos políticos possam nos ajudar a construir um Brasil diferente. A alternativa a essas duas opções é certamente muito pior!

Aprender a viver

Ana Maria Diniz
BLOG

Ana Maria Diniz


A educação que vale a pena


Para envelhecer bem, é necessário desenvolver desde cedo nas crianças e nos jovens uma forma nova de encarar a vida. Eles precisam saber o quanto antes que vão viver muito e que podem escolher se vão envelhecer com qualidade ou sem, dependendo dos hábitos que adotarem o longo da vida

Participei de um evento muito especial esta semana e me deu uma enorme vontade de compartilhá-lo com vocês, apesar de, a principio, não se tratar da Educação propriamente dita. O tema era Plenitude: Como atingir Longevidade com Qualidade.

O que Longevidade tem a ver com Educação? Tudo!
Começando pelo final, isto é, pela conclusão do evento, a mensagem principal é que, para se envelhecer com qualidade, deve-se investir desde a idade mais tenra da vida, a infância. É nela que vamos adquirir os hábitos saudáveis que vão nos condicionar e que serão repetidos a vida inteira, permitindo-nos chegar a idades avançadas com uma boa dose de qualidade.
Mas o que é qualidade na idade avançada? Segundo Alexandre Kalache, médico epidemiologista e gerontólogo, o importante é não ultrapassar o limiar da dependência. Manter-se independente e disposto é o que dá condições a um velho de ter uma vida digna e usufruir prazeres. Dessa forma, o importante é acumular, ao longo da vida, quatro tipos de capitais: saúde, conhecimento, relações e capital financeiro.
Para que isso ocorra, a revolução da Educação precisa acontecer!
As crianças e os jovens precisam desenvolver a consciência de que todo o investimento que fizerem em alimentação, e atividades físicas, em relacionamentos e na capacidade de usar a imaginação para transformar conhecimento em algo útil para si mesmos, será vital e fará toda a diferença!
Outro assunto importantíssimo é o sono. Se aprendermos cedo que dormir é muito mais do que uma atividade restaurativa diária – o sono é “a corrente de ouro que amarra nosso corpo à nossa alma”, segundo disse Russel Foster, professor de neurociência e especialista em sono da Universidade de Oxford – iremos tratá-lo com muito mais cuidado.
Como Russel nos ensina, é no sono que processamos informações e novas ideias. Também é nele que processamos as nossas emoções, além de restaurarmos o  metabolismo regulando o crescimento e desenvolvendo a nossa capacidade respiratória.
Outro ícone presente na conferência foi Tal Ben Shahar, escritor e papa da psicologia positiva na Universidade de Harvard. Ele nos falou algo que me marcou muito. Hoje, demonizamos o estresse, pois sabemos que ele é o responsável por uma grande gama de doenças crônicas e também por episódios fulminantes como, por exemplo, os enfartos.
Mas o estresse não é necessariamente ruim – na verdade, não é ele o problema. O problema é não haver pausa entre os momentos de estresse. A recuperação do estresse é vital. Isso pode acontecer em um fim de semana desplugado, numa viagem para um lugar paradisíaco ou em alguns minutos trancados no seu quarto, praticando um ritual que te deixe centrado e relaxado. Se um jovem aprender isso cedo na vida, poderá criar seus momentos de descompressão mais facilmente.
Ontem a minha neta mais velha fez 2 anos. Se ela se cuidar, poderá viver uns bons 140 anos com saúde e qualidade. Poderá conhecer seus tataranetos e, quem sabe, andar de bicicleta com eles, se quiser.
A minha neta nunca comeu doce até hoje. Minha filha conversou sobre isso com o Frederico Porto, psiquiatra e nutrólogo, responsável por nos passar alguns conceitos sobre alimentação saudável sem defender um alimento ou outro, nem recomendar dietas que tanto estão na moda.
Frederico aconselhou fortemente a minha filha a resistir o máximo possível para apresentar os doces à minha netinha. Quanto mais tarde ela puder ter essa referência, melhor. Os carboidratos, que se transformam facilmente em açúcar no nosso organismo, não devem ser banidos da nossa alimentação. Mas devem ser ingeridos com muita moderação, principalmente os de rápida absorção, como massas e pães brancos. As proteínas e gorduras são mais essenciais para nosso organismo, já que nosso corpo não as produz naturalmente.
A mensagem principal nessa área é comer pouco, nunca se empanturrar, pois isso é, de longe, o pior de tudo. Comemos muito mais do que precisamos para viver. O comer tem também um forte componente social. Cada vez mais as pessoas se definem pelo o que elas comem. “Você é vegetariano? Então deve ser zen. Você come muita gordura? Então não está nem aí para o corpo e provavelmente é boêmio”- e por aí afora. Sabemos que isso exige um equilíbrio tênue e uma boa dose de determinação. Nada melhor do que aprender a se manter balanceado o quanto antes na vida.
Por fim, minha neta e todas as crianças em geral terão que aprender muito sobre “geratividade” – uma palavra nova que eu também acabei anotar no caderninho. Trata-se da interatividade entre gerações, coisa que ela precisará demais para conviver comigo como avó, com minha mãe encantada em ser bisavó e com toda sua descendência, se Deus quiser.
Muitos outros ensinamentos foram passados em três dias de conferência, como mindfulness e o tema da complexidade, mas procurei selecionar aqui aquilo que mais conexão encontrei com o tema da Educação. A boa noticia é que o Plenitude ganhou vida e deve se transformar numa grande plataforma para disseminação de todo esse conhecimento em breve.

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Alimentação é a chave para uma vida saudável, diz especialista

Revista CBN - Entrevista

Mohamad Barakat lançou o livro 'Pilares para uma vida saudável'. Foto: Divulgação / Facebook (Crédito: )

Apesar da importância do esporte e da medicina, é na cozinha que se encontra a chave para a saúde. É preciso desembrulhar menos e descascar mais. Mohamad Barakat lançou o livro ‘Pilares para uma vida saudável’, em que cita quatro chaves para uma vida melhor. Um dos segredos é respeitar o seu intestino. Ouça a entrevista:


As cores que a gente só encontra na passagem do tempo

Academia CBN - Mario Sergio Cortella

Mário Quintana escreveu: 'há uma cor que não vem nos dicionários, (...) essa indefinível cor é a cor do tempo'. O que o poeta quis dizer, na obra 'O sapato florido', é que, nem sempre notamos, mas o tempo, quando passa, deixa marcas que criam cores inéditas.