quarta-feira, 3 de maio de 2017

Mais do que ensinar, mestre é aquele que nos faz refletir

Academia CBN - Mario Sergio Cortella

A possibilidade de indagar, de ter a dúvida essencial, ser capaz de, em vez de se conformar, ir buscar aquilo que esclarece, que orienta, que ilumina e que ensina: esse é o papel do magistério.


terça-feira, 2 de maio de 2017

Alunos que compartilham vida escolar com pais apresentaram notas maiores na área de ciências no Pisa



Ilona Becskeházy e Paula Louzano | Missão Aluno

Relatório do Programa Internacional de Avaliação de Alunos mostrou os resultados de um questionário aplicado a estudantes de 18 países.


Precisamos de mais calma ao interpretar nossos filhos

rosely sayão
Rosely Sayão
Psicóloga e consultora em educação, fala sobre as principais dificuldades vividas pela família e pela escola no ato de educar e dialoga sobre o dia a dia dessa relação.


Ninguém falou que ter filhos seria fácil, e, na atualidade, as dificuldades crescem dia a dia. Os pais estão submetidos a tantas pressões, demandas e valores sociais, que a lida com os filhos tem se tornado, para muitos, tarefa das mais angustiantes.

O estilo desvairado de vida que adotamos rouba muito de nosso tempo e faz com que mães e pais tenham cada vez menos paciência com crianças e adolescentes. E quem tem filhos sabe que paciência é uma das qualidades mais exigidas no convívio com os mais novos.

Muitos adolescentes e crianças têm ganhado pequenas batalhas que travam com os pais, boa parte delas a contragosto destes, por um único motivo: falta de paciência. "Quantas vezes terei de repetir a mesma coisa a meu filho?" Essa é uma pergunta de pais que ouço com muita frequência. Sempre dou a mesma resposta: por mais ou menos 18 ou 20 anos.

À falta de paciência para aguardar o desenrolar do desenvolvimento dos filhos, que não costuma ocorrer de modo linear, alia-se uma característica de nosso tempo, chamada de medicalização da vida, para complicar mais o trabalho dos pais.

Medicalizar a vida significa transformar questões que não são médicas em doenças ou suspeitas da presença delas. Darei alguns exemplos.

A mãe de uma garota prestes a completar cinco anos observou pequenos machucados na filha. Foi conversar com a professora da menina e ouviu que os arranhões e marcas de batidas tinham sido resultado de brincadeiras e interação da criança com a natureza. Vamos lembrar que, nessa idade, a criança ainda não tem total controle sobre seu corpo. Mas essa mãe não ficou satisfeita com a resposta e procurou um psiquiatra, por acreditar que a filha estava tentando praticar automutilação!

Os pais de um adolescente, que prefere ficar em casa lendo ao invés de sair, que não é muito procurado pelos colegas, que acha uma bobagem participar de redes sociais –sim, eles existem!– e que é tímido, passaram a achar que o filho tem características autistas.

Um último exemplo ilustrativo dessa questão: uma adolescente de 15 anos teve o primeiro namoro, que durou quase um ano, rompido. O ex-namorado disse a ela que queria curtir mais a vida e que o compromisso com ela o impedia. Uma semana de muito choro da garota e isolamento no quarto foi o suficiente para a mãe acreditar que a filha estava "profundamente" deprimida e que poderia tentar o suicídio. Perder um amor é sofrido, doloroso, mas faz parte da vida.

Precisamos ir com mais calma na interpretação dos comportamentos de nossos filhos. Muitas vezes, um cachimbo é apenas um cachimbo, como me lembrou uma amiga.

Para isso os pais precisam, primeiramente, ter paciência para observar melhor o filho durante um bom período. Devem, também, entender o contexto daquele momento da vida dele para identificar motivos para seu comportamento atual.

E sempre ajuda lembrar que todos nós temos nossas particularidades, nossas características pessoais frente à vida. Os mais novos ainda estão desenvolvendo isso, adaptando-se às reações que apresentam frente aos problemas que enfrentam. E para que possam se sentir apoiados pelos pais, estes precisam ser capazes de lhes transmitir segurança e afeto. Nada mais...

Custo do fracasso escolar para os alunos e o País

Maria Alice Setubal
Maria Alice Setubal, a Neca Setubal, é socióloga e educadora. Doutora em psicologia da educação, preside os conselhos do Cenpec e da Fundação Tide Setubal e pesquisa educação, desigualdades e territórios vulneráveis.

Se a reprovação tende a ter mais efeitos negativos que positivos, por que se reprova tanto?

Ao mesmo tempo que amarga as últimas colocações no ranking de aprendizagem da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), quando o assunto é reprovação o Brasil está nas primeiras posições. Enquanto a média mundial de retenções na educação básica, segundo a organização, é de 2,9%/ano, nosso índice chega a 8,2% no ensino fundamental e alcança alarmantes 11,5% no ensino médio, de acordo com o Censo Escolar de 2015.
Embora esses índices estejam em tendência de queda nos últimos anos, reprovar estudantes com aprendizagem abaixo do esperado ainda é uma resposta comum, e preocupante, do nosso sistema educacional. Mesmo em comparação com nossos vizinhos da América Latina e do Caribe, com quem compartilhamos uma história de desigualdades sociais e no acesso ao direito à educação, somos os recordistas em retenções. Em 2010, entre os 41 países que compõem a região, o Brasil tinha a maior taxa de repetência na educação básica, de acordo com o relatório do Compromisso Educação Para Todos, da Unesco. A julgar pelos resultados de avaliações externas, porém, a estratégia de levar os alunos a refazer os anos letivos tem sido insuficiente para garantir a evolução da aprendizagem.
O problema, de fato, não é de fácil solução. É preciso considerar que, se por um lado a aprovação dos alunos com rendimento abaixo do esperado – sem políticas específicas de intervenção e aceleração – não garante que o direito à aprendizagem se efetue, por outro a reprovação tende a conturbar ainda mais sua trajetória escolar. Nos casos mais graves, levados a refazer o ano escolar nas mesmas condições que levaram a reprová-los, os alunos acabam por abandonar a escola, o que também é uma problema grave no País. Só na faixa etária ideal do ensino médio, de 15 a 17 anos, temos 1,3 milhão de jovens que deixaram a escola sem concluir os estudos; destes, 52% não concluíram sequer o ensino fundamental. Os dados são de um estudo do Instituto Unibanco lançado em 2016.
Outro impacto negativo da reprovação e da evasão, já muito estudado, são seus custos econômicos. Dados preliminares de uma pesquisa realizada por Fundação Brava, Insper, Instituto Ayrton Senna e Instituto Unibanco apontam que os custos anuais de termos jovens de 15 a 17 anos fora da escola são quase equivalentes ao valor investido atualmente pelo País em ensino médio. Somadas as perdas pessoais dessa população, que tem rendimento salarial menor, às perdas sociais, que abarcam queda de arrecadação e aumento de gastos com saúde e segurança pública, os prejuízos chegariam a R$ 49 bilhões/ano. Atualmente, o valor investido pelo País em ensino médio é de R$ 50 bilhões, segundo o Ministério da Educação.
Mas se há anos as pesquisas mostram que a reprovação tende a ter mais efeitos negativos que positivos, por que ainda reprovamos tanto no Brasil? Parte do problema está claramente relacionada à falta de investimentos para garantir condições adequadas de aprendizagem. Por outro lado, pesquisa recente do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec), realizada com uma amostra de 5.500 professores da educação básica, joga luz em outro aspecto da questão, este de cunho cultural, ou seja, relacionado ao conjunto de crenças sobre reprovação, justiça e avaliação que circulam em nossa sociedade e também influenciam nossos professores.
Um dos principais achados é que, embora 77,8% dos participantes não tenham posição clara sobre o tema, a adesão à crença na reprovação tende a ser acompanhada por forte adesão a uma concepção meritocrática de justiça educativa. Nesse conjunto de crenças, os fatores sociais que influenciam o aprendizado – amplamente demonstrados pela pesquisa científica – não são considerados como geradores de diferenças de desempenho escolar. Assim, o acesso ao conhecimento é visto unicamente como fruto do talento e, especialmente, apenas do esforço individual. Por isso, para os professores que aderem à visão meritocrática, a avaliação tende a ser uma forma de exercer poder disciplinar; consequentemente, a reprovação acaba por assumir uma natureza moral – é uma espécie de “castigo” – e, assim, quanto mais cedo ela ocorra, mais precocemente levaria o aluno a entender que se deve esforçar mais para aprender.
Por outro lado, os professores que consideram os impactos da origem social, do capital cultural e de desigualdades de gênero e raça no processo de aprendizagem tendem a assumir uma visão corretiva de justiça e a ver a avaliação como um processo formativo. Os docentes mais próximos a essas crenças tendem a ser menos favoráveis à retenção, especialmente se estiverem bem informados sobre pesquisas científicas a respeito dos efeitos da reprovação.
Em suma, essa associação inadequada entre reprovação e melhoria do aprendizado se deve a uma cultura incorporada no cotidiano escolar e no imaginário social. Uma mudança efetiva dessa cultura dependerá de mais investimentos em formação inicial e continuada de professores e gestores e em condições pedagógicas, como a redução do número de alunos por turma, para que a comunidade escolar não só tenha acesso a evidências científicas sobre os malefícios da reprovação, como também tenha condições de dar apoio aos alunos com diferentes ritmos de aprendizagem.
O acesso a pesquisas e a informações qualificadas também é fundamental para que a sociedade como um todo possa olhar mais criticamente para os resultados de avaliações externas como o Pisa e a Prova Brasil, cobrar a ampliação e a melhoria na gestão dos investimentos na educação e entender que, numa sociedade como a nossa, a justiça não reside na igualdade de tratamento entre desiguais, mas na correção das disparidades. Somente assim será possível avançar na construção de uma escola mais inclusiva, em que nenhuma criança ou nenhum jovem fique para trás.

segunda-feira, 1 de maio de 2017

A ocupação evita pensar em bobagem; é do cansaço que nasce o caráter- "Ter direitos não molda o caráter, cumprir deveres, sim. "

luiz felipe pondé
Luiz Felipe Pondé
Filósofo, escritor e ensaísta, pós-doutorado em epistemologia pela Universidade de Tel Aviv, discute temas como comportamento, religião, ciência.


O dia do trabalho é hoje. Mas não vou falar dessas chatices de sindicato, que em muitos casos é coisa de bandido com metafísica social. Sou daqueles que acreditam que, sim, o trabalho molda o caráter, mesmo que seja aquele pequeno trabalho quase invisível do dia a dia.

Uma das razões que considero causa de muita da patifaria que circula entre os jovens e seus pais com mais condição financeira é o fato de não terem de arrumar o quarto.

Estou certo de que uma das razões de a Europa ser tão civilizada é o fato de as pessoas lá não terem acesso a empregada doméstica. O caráter é alguma coisa que brota no silêncio de quem lava louça todo dia. O
caráter não brota numa assembleia de estudantes ou numa manifestação contra a desigualdade social.

Pelo contrário, atividades assim mais deturpam o caráter do que o moldam, porque são atividades em que você só demanda e não dá nada em troca.

Ter direitos não molda o caráter, cumprir deveres, sim. Um dos estragos do mundo contemporâneo é essa histeria por direitos em toda parte.

Todo mundo que vive ou viveu na Europa sabe do que estou falando. E não quero dizer que a Europa seja uma perfeição. Não faço parte do clube de pessoas que entram em orgasmo com a Escandinávia e sua monotonia civilizada. Sinto-me melhor em Portugal e na Espanha e seu caos latino.

Um dia a dia europeu. Você acorda. Se você não deu um jeito na casa na noite anterior, sala, quarto, banheiro e cozinha estarão um lixo. Se tiver um filho pequeno, terá que vesti-lo e alimentá-lo antes da escola. No frio, as camadas de roupa são muitas. Mamadeira pode ser uma constante. Doenças infantis podem criar um problema. Caso tenha marido ou mulher, claro, vocês dividirão esse imprevisto. Quem falta hoje no trabalho? Caso seja um "single parent", não terá escolha, faltará no trabalho.

Claro, você terá de comer, ou o fará num café próximo, mas custa mais caro, e todo dia essa brincadeira poderá sair bem caro. Levar a criança à escola. Buscar ao final do dia. Chegar em casa, dar banho no filho (se forem dois filhos...), preparar comida, colocá-lo para dormir.

Você também tem de tomar banho, preparar a comida, arrumar a casa, limpar a cozinha. Durante o dia, providenciar comida, mantimentos, produtos de limpeza. Roupa a ser lavada. Jogar o lixo fora. Finais de semana?

Lazer, comer, beber. Se quebrar algo na casa, resolver esse problema. Caso compre algo, se quiser que a coisa saia baratinha, terá de levar no metrô sozinho ou sozinha. Carregar, montar. Caso tenha filhos, fazer isso tudo enquanto toma conta do filho.

Não é de se estranhar que os europeus optem cada vez mais por ter menos filhos ou nenhum.

Um traço da vida europeia é que tudo o que você precisar fazer ao longo do dia para manter sua vida funcionando você terá de fazê-lo sozinho, não terá ninguém pra ajudá-lo.

Claro que a existência do Estado de bem-estar social e de razoáveis serviços públicos tornam essa carga cotidiana menos terrível.

Mas nada garante que, com a provável derrocada do Estado de bem-estar social na Europa, apareçam empregadas domésticas de um dia para o outro.

Talvez sírias desesperadas por uma vida melhor comecem a trabalhar com serviços domésticos, ainda assim, as leis trabalhistas europeias tornam o emprego muito caro e proibitivo para um mortal médio.

De qualquer forma, esse cotidiano molda o caráter, sem dúvida.

Sei que está fora de moda dizer isso. Na moda está é ser ressentido, mimado e cobrar direitos de todo mundo.

A ideia de que o trabalho é essencial na formação mínima do caráter é antiga. Na filosofia mais moderna, o inglês John Locke (1632-1704) é um dos primeiros a identificar o trabalho (nesse caso, o trabalho também mediado pelo ganho de dinheiro) como instância moral.

Entre os monges de todas as religiões conhecidas, o trabalho físico sempre foi visto como forma de equilibrar o espírito e a vida moral.

A ocupação e o cansaço evitam que você pense em bobagem e sonhe com o impossível. É nesse silêncio do cansaço que nasce o caráter. No embate com o inevitável.

As máscaras que colocamos em nossas crianças


Leticia Sorg

LETICIA SORG


Um outro olhar sobre as notícias



Como os estereótipos podem criar meninos solitários e infelizes - além de meninas sorridentes e arrumadinhas
Ela tem que sorrir. Ser disciplinada. Assentir. E, de preferência, ser bonita e arrumada.
Ele tem que parecer sério. Desafiar. E, de preferência, esconder qualquer traço de medo.
Não, não sou eu quem está dizendo isso às meninas e aos meninos. É a sociedade, são os pais, os professores, a mídia. Nem sempre paramos para pensar no impacto dessas mensagens no comportamento das crianças, mas uma iniciativa nos Estados Unidos tem se esforçado para mudar esse cenário. É o Representation Project, que fez dois documentários para questionar os estereótipos impostos a meninas e meninos.
O trabalho começou com Miss Representation, sobre o qual falei em 2011, quando escrevia para a revista Época. O filme gerou muito debate ao questionar a supervalorização da beleza na vida das mulheres. Mostrava incontáveis capas de revista, propagandas e filmes, todos estrelados por mulheres altas, magras, geralmente de cabelos compridos. Questionava a pressão para se enquadrar nesse padrão de beleza. E propunha buscar novos modelos de sucesso para meninas e mulheres. Modelos não baseados na aparência física.
O movimento pegou e, mesmo no tapete vermelho, focar na estética não é mais bem visto. Recentemente, a atriz Blake Lively, convidada para falar sobre o combate à pornografia infantil, se irritou com um repórter que insistiu em perguntar sobre sua roupa. Sério que, diante de tantas questões, essa era a melhor? As mulheres de Hollywood têm se unido para barrar a pergunta única sobre beleza na campanha #AskHerMore, da qual já falei aqui.
Esse é só um exemplo. O documentário também discute como a moda trata as mulheres, como as mulheres acabam sendo julgadas por sua aparência mesmo na política – coisa mais rara para os homens – e como isso se reflete na falta de ambição das meninas. Elas querem ser bonitas – e aceitas. E, às vezes, só isso. Preocupante.
Mais recentemente, o mesmo projeto voltou a discutir os estereótipos de gênero, dessa vez se concentrando nos efeitos sobre os meninos. A chocante conclusão pode ser vista no documentário The Mask You Live In, disponível no Netflix – agradeço aqui a uma leitora pela sugestão!
O filme conta que criamos os meninos para que sejam fortes e independentes. O que parece bom. Mas também para que engulam o choro e não “ajam como meninas”. E aí começam os problemas: os meninos tentam resolver tudo sozinhos, às vezes com resultados desastrosos. Colocam a máscara da indiferença, da violência, da rebeldia para esconder o turbilhão de dúvidas e medos. E também começam a ver características ditas “femininas” como negativas. E aí temos uma origem do machismo: se as mulheres têm características negativas, por que respeitá-las?
O resultado desse tipo de expectativa social é que grande parte dos meninos sofre, sozinho, os dramas e traumas da adolescência. Sem ajuda, têm mais problemas na escola e são maioria entre as vítimas de suicídio. Não à toa este post vem pouco depois de eu escrever sobre a série 13 Reasons Why.
Os meninos, assim como as meninas, sentem o efeito dos estereótipos de gênero logo cedo. E também continuam sofrendo com eles ao longo da vida. Em coisas tão simples como não se sentir à vontade para dizer que faz ioga ou pedir um suco de laranja em vez de um chope no bar com os amigos. É sobre isso que Gustavo Tanaka falou em um post que foi compartilhado centenas de vezes no Facebook.

Você gosta de comprar ou tem compulsão por compra?

Consumo excessivo pode estar associado a ansiedade, baixa autoestima e insegurança

SARA ABDO - O ESTADO DE S.PAULO


É preciso atenção para distinguir as compras por prazer das compras feitas para compensar algum desconforto. Se o mais comum for a segunda opção, o quadro pode ser um distúrbio de comportamento. A compulsão por compra é a a aquisição de roupas, sapatos e objetos com o fim de acalmar ou minimizar uma ansiedade. Na arte, já foi vivido por personagens como Becky Bloom, do livro e filme Os Delírios de Consumo de Beck Bloom (2009), Helô (Giovana Antonelli), de Salve Jorge (2012), e Carrie Bradshaw (Sarah Jessica Parker) em Sex and the City. O distúrbio pode gerar um efeito 'bola de neve' e, claro, incluir complicações financeiras. 
Segundo a psicóloga comportamental Gislene Isquierdo, tanto homens quanto mulheres estão suscetíveis ao distúrbio, que não é o comportamento em si, mas a função dele. "O desequilíbrio não é a compra, mas o motivo dela, que no quadro de compulsão é acalmar uma ansidedade ou esquecer um problema", afirma Gislene. O quadro está associado a ansiedade não controlada, baixa autoestima e insegurança. Entre os homens, costuma ser mais comum a compulsão por relógios, perfumes, jogos e apostas. Entre as mulheres são mais frequentes as compras de roupas, bolsas e sapatos, já que elas têm maior acesso a informação sobre moda e tendem a se sentir pressionadas para vestirem as principais tendências do momento. 
Para reconhecer um quadro de compulsão Gislene propõe que sejam respondidas as seguintes perguntas:
1) Com que frequência você vai às compras?
2) Quando vai às compras, o que deixa de fazer? Você sente falta?
3) O que acabou de comprar é similar ao que já tem?
4) Se sim, você já usou essas peças similares?
O tratamento. Se a resposta número 3 for positiva e a número 4 negativa - ou seja, se você quer comprar algo novo que é similar ao que você já tem e nunca usou - o ideal é procurar ajuda, seja com amigos, coaches ou psicólogos. Gislene recomenda um trabalho de percepção de como se lida com as prórpias emoções. "Às vezes apenas uma companhia para conversar e entender o que está acontecendo já basta para a tratar o distúrbio", avalia a profissional.  
A consultora de moda e estilo Taiana Bueno comenta que conhecer o próprio estilo pode ser um aliado na compra consciente. Taiana sugere que, ao irem as compras, as pessoas tenham em mente o que há no guarda-roupa e sempre pensem o que a roupa que estão prestes a comprar comunica. É um visual que comunica ao mundo o mesmo que você quer comunicar? 
Assim como Gislene, a consultora Taiana acredita que o autoconhecimento é peça-chave para que um indivíduo conduza a própria moda e deixe de ser refém das revistas ou de suas inseguranças. Para ter certeza de que está se fazendo uma compra consciente, Taiana recomenda que se responda as seguintes questões: 
1) Por que essa peça é necessária? 
2) Com o que essa peça será usada?
3) Em que ambiente vou usar essa peça? 
4) O que essa roupa comunica? Esse é o mesmo conteúdo que quero comunicar?
5) Esse é o momento da compra ou devo esperar o fim do mês e as promoções de fim de estação?